sexta-feira, 27 de maio de 2011

The Antlers - Burst Apart

Luzes refletem no alcatrão o cansaço da noite. A vida é tão mais fácil no banco de trás. Encostar a cabeça no vidro. O carro está cheio daquele silêncio acolhedor que só amigos adormecidos conseguem dar. A música começa.


Às vezes - só às vezes - a vida faz sentido.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Bardo Pond - Ticket Crystals (2006): Um boa prenda para o dia da Mãe

E provavelmente vais matá-la. O que para alguns pode ser a melhor prenda para o dia do Filho.

E se no final da primeira faixa (Destroying Angel) ela ainda estiver viva, então orgulhem-se.
Porque se a vossa mãe conseguiu sobreviver aquela dose de dor, pus, sangue e morte, merece viver para ouvir o resto do álbum.

E falar da droga é cliché. É. Mas o ouvinte cauteloso vai certamente encontrar uma nova medida para a pesar, embalar e comercializar. Essa medida é o camião. Os Bardo Pond transportam nas suas veias um camiãozinho cheio de LSD e nós absorvemo-lo como uma transfusão sanguínea pelos tímpanos. E as nossas santas mãezinhas também.

Se a distorção da guitarra é capaz de fazer o vosso primo afastado que mora na Austrália trepar às paredes como um Yorkshire Terrier com medo de morrer quando passam este álbum no vosso estéreo, talvez as vozes e os ecos o façam rebuscar nos confins mais profundos da sua massa cinzenta que a construção civil não é sítio para quem pinta as unhas.

Mais informo que a cover dos Beatles, Cry Baby Cry, vem só confirmar de forma veemente que este álbum é efectivamente dedicado à nossa mãe.

Os Bardo Pond não conseguem vir à Europa porque a alfândega americana é muito rígida. Se tocarem no aeroporto para fazer render o bilhete do avião, talvez muita gente enlouqueça e os besouros de metal sosseguem uma vez na vida.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

MUNK

-Ó tempo volta para trás! para poder aproveitar todos os momentos únicos que passei contigo! Não te apetece o mesmo? - diz ela
- Não, eu estou bem aqui e agora! Gosto de olhar em frente e ver no horizonte o que novo se produz! - diz ele
- Então e os jantares romanticos e todo o amor explosivo que já passou, já não te interessa?
- Não, quer dizer sim, isto é, interessa mas não agora que estou a ouvir MUNK! - diz ele
- Ah, sim? Então vai-te f%&@£! - diz ela!
E assim começou mais um caso de violência domestica!
Moral da historia, se querem ouvir MUNK estejam longe das gajas que elas não nos vão deixar ouvir a música descansadamente!


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Awesome Color, my name is Trio, Power Trio

Quem ouve música nos dias que correm (toda a gente e não gente) tem muito por onde escolher, mas quando a oferta/esmola é grande, o pobre desconfia. E hoje todos nós somos pobres, almejamos um futuro melhor enquanto pessoas tentam com que lhes seja realizada uma felação por motivos de ordem superior. 
Somos pobres, o mercado (lota) da música torna-se ainda mais maior grande a cada milissegundo que passa, portanto não é preciso ser doutorado para deduzir que iremos desconfiar.
Então vamos para escolhas catalogadas como "Queres algo simples que até soa bem? Então ouve isto!".
The Jimi Hendrix Experience, juntamente com Cream e provavelmente umas doses de LSD popularizaram o conceito de banda Power Trio (três pessoas, três instrumentos, três não sei quê) e vêm de lá uns gajos em 2004, a dizer, "Nos fazemos música simples, com guitarradas, tipo banda de garagem. É porreiro, oiçam, 'comprem'!"
Awsome Color, já aqui foram falados, mas no ano passado lançaram um terceiro álbum ao qual eu tiro o chapéu, aliás, tiraria se usasse.
Uma guitarra, um baixo e uma bateria.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Antes de existir rap, o melhor contador de estórias chamava-se Johnny Cash

Mas depois veio o rap e o melhor contador de estórias continua a ser o Johnny.

Quinta-feira, à mesa, alguém vasculha as músicas e diz

Este som é tão bom, pá.

Sexta, a subir escadas, oiço-a pela primeira vez. Fixo uma parte em específico que me faz sorrir.

Nesse dia, às tantas da noite, numa disco com o melhor som de sempre naquela noite em específico, a música começa. Pela segunda vez na minha vida, oiço-a. Ao meu lado, a pessoa que me tinha falado na música também thumbs up'ava o DJ.

E, chegando à parte certa, berrámos em conjunto.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nasser


O que somos nós, mesmo? Numa altura em que se diz que 2 biliões (sic) de pessoas irão assistir a um casamento como se fosse o acontecimento das suas vidas; onde o voyerismo é levado ao extremo; onde impera a cultura da celebridade, do ser famoso ainda que inocuamente oco; onde para ser ator é preciso ser-se bonito e ser político é lançar sound-bytes; onde ser artista de sucesso é ter pernas até ao rabo; onde "compromisso amoroso" é contrair empréstimos de longa duração; onde não se leem jornais mas gastam-se ordenados em televisões gigantes para vermos publicidade enquanto esperamos dormentemente por programas que nos emburrecem, o que somos nós, mesmo?

E ninguém nos inspira. Somos uns pedaços de merda.


Pelo menos é o que os Nasser dizem. Há como não concordar?


(via Luís Matias)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Horrores lá pra Julho

Mais coisa menos coisa, em Julho The Horrors vão lançar o seu terceiro trabalho de originais. Vi esta senhora banda no PdC 08, e sim senhor, post punk e coisas psicadelicas. Estes gajos vão longe, nem que seja por terem aparecido em Portugal vindos de terras sua majestade.
Ficam aqui duas injecções destas coisas!


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Amiina

Esta é o meu primeiro post, por isso aproveito para cumprimentar todos os colaboradores e administradores.
Em 2005 fui ver Sigur Rós ao coliseu (a segunda vez) e estas quatro meninas abriram o concerto, que mais me arrepiou. É que eu sempre pensei que um serrote servisse simplismente para cortar, mas estas meninas da Islandia usam-no para criar sons magnificos, utilizam ainda copos de cristal, bem sem palavras.
Cumprimentos a todos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

uni_form

Chamam-se uni_form, tocam post-punk e são portugueses. Existem desde 2006 e em 2010 lançaram-se no mercado com Mirrors - O único LP da banda.

Nascidos em Lisboa em 2006, os Uni_Form são compostos por Umbigu no baixo, Exploding Boy na percussão e Voxx Machina na voz e na guitarra e Soraia Simão nas teclas. Com uma forte aposta nas sonoridades mais dark, reúnem influências como Joy Division, Bauhaus, White Lies, Pixies, Depeche Mode, Nine Inch Nails... Contam com o álbum de estreia "Mirrors" e lançaram recentemente o EP "Winter Blue", do qual extraíram o single "Fire", que vão apresentar oficialmente no Santiago. @BLITZ

Concordo com o senhor Blitz, mas falta algo. Apesar de tudo falta referir que se fecharmos os olhos e ouvirmos uni_form parece que estamos a ouvir Interpol disfarçados de Editors, ou vice-versa.
Em suma, uni_form merecem a nossa atenção, mas se conseguissem ser mais originais, chamar-lhes-ia uma forte promessa da música portuguesa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

The Strokes - Angles

As voltas e os ângulos que a vida dá. Têm 10 anos de existência, foram influenciados mas também já influenciaram e influenciam. The Strokes já são portanto um fenómeno do rock alternativo.
Bom mas não estou aqui para puxar lustre à banda de Julian Casablancas, já não ganho nada com isso. ^^ Foi na passada terça-feira que apareceu nas prateleiras o quarto LP dos The Strokes - Angles, o nome do trabalho. O álbum foi disponibilizado online, oficialmente pela banda, antes da chegada às lojas.
Sólido e conciso, um álbum que vale a pena "comprar"! Não esperava mais nem menos, são 10 faixas, não são 3, portanto não poderemos proclamar "a conta que Deus fez", até porque não foi Deus, foram os The Strokes que trabalharam e inventaram o álbum.
Muito indie, muito sintetizador, algo de 80's, algo de 60's... Enfim, oiçam!




http://www.myspace.com/thestrokes

Posto isto, 2011 promete! Arctic Monkeys aparecerão...